Obras públicas vão utilizar material reciclado da construção civil
Alana Gandra, da Agência Brasil


O município do Rio terá de utilizar em obras públicas material reciclado de resíduos sólidos da construção civil e de demolições. Proposta nesse sentido foi encaminhada à prefeitura da cidade pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemac).

A coordenadora do Programa de Resíduos Sólidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Claudia Fróes, disse que já existe um decreto que recomenda que os resíduos da construção sejam transformados em agregados para uso em pavimentação e em vários tipos de artefatos.

“Nós agora estamos pedindo que não seja só uma recomendação, mas que seja feito um decreto obrigando que as obras e serviços realizados pela prefeitura usem esses agregados reciclados. É uma forma de a gente dar o exemplo de reduzir o volume de resíduos a ser encaminhado a aterros”.

O gerente de planejamento da Coordenadoria de Resíduos Sólidos da secretaria, Nelson Machado, afirmou que no momento em que a prefeitura der o exemplo, utilizando esse material em suas obras, “estará estimulando vários setores da cadeia a também utilizar. Inclusive, [estimulando] outras empresas a investir nessa atividade econômica”.

Claudia Fróes lembrou que a medida vai reduzir também a emissão de gases de efeito estufa, “porque são menos caminhões transportando esses resíduos para dispor em aterros. A gente aumenta a vida útil dos aterros. Foi feita essa recomendação de obrigatoriedade pelo Consemac. E esperamos que o nosso prefeito acate e torne o uso obrigatório em todas as obras e serviços públicos”. O projeto foi elaborado dentro da proposta de sustentabilidade da cidade do Rio de Janeiro, disse Claudia.

Os testes realizados em parceria com a Secretaria Municipal de Obras consideraram tecnicamente viável o uso do material reciclado. Nelson Machado informou que esses resíduos reciclados substituem os agregados naturais, extraídos de pedreiras, como areia e brita, apresentando custos de 20% a 30% menores. A principal finalidade é formar a base de pavimentação de ruas.

Atualmente, já há duas pedreiras aptas para a reciclagem desses materiais, licenciadas junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Segundo explicou Machado, a reciclagem amplia a vida útil da pedreira que tem lavra para produzir brita natural, além de permitir a recuperação de áreas degradadas.

“Ela ainda pode produzir o agregado para utilização em outras obras. Pode também produzir artefatos, como tijolos e canaletas, com esse material”.

Machado destacou que o entulho de obras passa a ser valorizado e deixa de ser depositado em locais clandestinos, contribuindo para a preservação do meio ambiente. Para ele, outro ponto importante é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está adotando como contrapartida ao financiamento de obras a valorização de resíduos, entre os quais os da construção civil, entre outras práticas sustentáveis. “É isso que a gente está tentando fazer”.

(Agência Brasil)