Avaliação do uso conjunto de lodo de estações de tratamento de água e agregado reciclado miudo na fabricação de componentes não cerâmicos da construção civil.
Estudo de caso: Lodo do Rio Pinheiros - SP.

Luis Fernando Martini Monteiro, empresário da construção civil. Salto/SP
Requerente: ONG Terra Viva Movimento de Resistência Ecológica
Pedro Camelo.

O desenvolvimento tecnológico e econômico a nível estadual na ultima década tem incrementado a demanda de novas edificações e o acréscimo de remodelações prediais, como também o incremento de construções paralelas como estradas, serviços públicos, áreas e lugares públicos. Este acréscimo trouxe a produção de uma grande quantidade de resíduos sólidos, entre eles entulhos da construção e/ou demolição civil; além do incremento populacional e o consumo de água tratada, o que gerou o incremento do porcentual de lodos nas Estações de Tratamento de Água -ETA’s (ISAAC, 2003). Estes dois resíduos, hoje são causadores de grande impacto ambiental em bacias e áreas das regiões vicinais, podendo ser aproveitados como matérias primas em outros processos (RICHTER, 2001; AWWA, 2000).

A presente pesquisa de gestão está intencionada no aproveitamento e uso desses resíduos, agregados miúdos de entulhos reciclados e lodos, aplicando os conceitos e políticas do “Desenvolvimento Sustentável”. Está-se estudando a caracterização e viabilidade na recuperação, reciclagem e uso deles como novas matérias primas na elaboração de componentes não cerâmicos da construção civil (blocos ou tijolos de encaixe), os quais permitiram a redução dos passivos ambientais gerados e redução possível dos custos de fabricação, podendo ser usados em projetos comunitários e de moradia da região.

Este projeto envolve entidades não governamentais do município de São Paulo e empresa Saltense que as coletaram, classificaram e processaram os entulhos, e produziram os agregados usados na construção civil (moídos e miúdos); como também a Estação de Tratamento de Lodo que faz o desaguamento e disposição do resíduo nos aterros da cidade.

Do ponto de vista geotécnico, o lodo e o agregado são constituídos de partículas de distintas dimensões e proporções, e sua granulometria e outras propriedades conferem comportamentos distintos no que se refere, por exemplo, a permeabilidade e capilaridade, estados de consistência (líquido, plástico, semissólido e sólido), Encontrou-se que tem em sua constituição: argila, silte, areia e também uma parcela de água; isto possibilita a sua comparação.

Os componentes que estão sendo fabricados, na tecnologia proposta baseada (tijolo de encaixe) serão testados na área estrutural segundo as normas para “concreto” da ABTN (series NBR) vigentes no Brasil; sendo avaliada a resistência a compressão, a absorção de água e as dimensões após o tempo de cura definido em 21 dias (NBR 10836/1994 e NBR 15.575/2013). Na área ambiental, serão avaliadas amostras de agregado e lodo, para “massas brutas”, segundo a ABTN (series NBR vigentes); e se apresentará uma proposta alternativa.

Na metodologia de trabalho esta à definição porcentual apropriada mistura destes resíduos, considerando as seguintes condições: 1- O porcentual de cimento é fixado em 10% (±7% usado comercialmente), considerando maior absorção de água dos componentes e a possível presença de maior quantidade de partículas finas; 2- A granulometria do agregado devera ser menor de 4,76 mm no processo da britagem ou trituração; 3- O lodo usado, após o processo de desaguamento, deverá apresentar umidade na faixa dos 50%, considerando um possível destorroamento para ter particulado menor de 2,00 mm; 4- Os componentes feitos, na área designada da empresa, são tijolos de encaixe tipo solo e cimento no formato definido de dimensões 7,5x15x30 cm, sem função estrutural. misturas (consideradas em massa seca) tem a proporção de 10% de cimento, lodo 20 % e complemento de agregado para 100%; 5- A quantidade de água adicionada (menor a 15%).


Veja o vídeo:


Recebimento do material 26/02/2013

Lodo sendo misturado com agregados 01/03/2014

Lodo e demais agregados sendo misturados em betoneira.

Processo de mistura e homogeneização 01/03/2014

Tijolo em fase de produção 01/03/2014

Produção sendo palletizada 01/03/2014

Prensa utilizada para prensagem dos tijolos 01/03/2014.