Tijolos de solo-cimento com resíduos de construção


A necessidade de preservação ambiental e a tendência de escassez dos recursos naturais fazem com que a construção civil passe a adquirir novos conceitos, buscando soluções técnicas que visem a sustentabilidade de suas atividades. Nesse sentido, o aproveitamento dos resíduos de construção e demolição (RCD) destaca-se como possível alternativa, na medida em que busca valorizar os materiais descartados nas obras de engenharia, atribuindolhes a condição de material nobre. Ressalta-se que o aproveitamento dos RCD na própria construção, em determinadas situações, pode até mesmo trazer vantagens técnicas e redução de custos, como é o caso do uso dos resíduos de concreto na confecção de tijolos prensados de solo-cimento.

Fabricação dos tijolos

Figura 1 – Encontro de paredes feito com tijolos vazados de solo-cimento

Na fabricação dos tijolos são utilizados os seguintes materiais: solo, cimento e água. A água é usada em pequena quantidade, o suficiente para se obter a umidade ótima para a prensagem do tijolo. A resistência média à compressão dos tijolos, segundo a NBR 8491 – Tijolo de solocimento – especificação, não deve ser inferior a 2,0 MPa aos sete dias, e a absorção média de água deve ser inferior a 20%. A norma recomenda o uso do cimento Portland comum. Quanto ao solo, é preferível utilizar solos arenosos. Os mais adequados são os que possuem 100% dos grãos passando na peneira 4,8 mm; de 10% a 50% passando na peneira 0,075 mm; limite de liquidez LL ≤ 45%; e limite de plasticidade LP ≤ 18%. Solos com essas características propiciam condições para que se tenha menor consumo de cimento e obtenção de tijolos de melhor qualidade.

Figura 2 – Construção em três pavimentos com tijolos de solo-cimento

As vantagens da utilização dos tijolos de solo-cimento vão desde a fabricação até a sua utilização no canteiro de obras. Os equipamentos utilizados são simples e de baixo custo, possibilitando operação no próprio canteiro. Isso reduz os custos com transporte, energia, mão-de-obra e impostos. Além dessas vantagens, o tijolo de solo-cimento agrada também do ponto de vista ecológico, pois não passa pelo processo de queima, no qual se consomem grandes quantidades de madeira ou de óleo combustível, como é o caso dos tijolos produzidos em cerâmicas e olarias.

Encontram-se no mercado empresas que oferecem diversos modelos de prensas para a fabricação dos tijolos. Algumas prensas fabricam até cinco tipos diferentes de tijolos, bastando para isso apenas trocar os seus moldes. Existem empresas que fabricam máquinas com revestimento interno (refil) da caixa matriz, onde o solo é prensado. Em geral essa parte da máquina sofre grande desgaste devido ao atrito com o solo, bastando, na sua manutenção, apenas efetuar a substituição do molde interno.

O aprimoramento dos equipamentos para a fabricação dos tijolos tem contribuído para a racionalização das técnicas de construção, possibilitando a elaboração de projetos com maior qualidade, permitindo o uso dos tijolos inclusive em obras de padrão mais sofisticado. Podem ser produzidos tijolos maciços, tijolos modulares com encaixe, canaletas, placas de revestimento e até elementos decorativos. Apresenta-se, na figura 1, uma ilustração da amarração em encontro de paredes, cujo assentamento é feito por meio do encaixe dos tijolos vazados de solo-cimento.

Figura 3 – Tijolos de solo-cimento com resíduo

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